A falta de energia para realizar as tarefas diárias pode ser um problema de saúde. Fique atento aos sintomas da síndrome da fadiga crônica

Reclamar do cansaço é quase um mantra diário. Ter disposição para fazer as tarefas mais simples às vezes parece uma batalha interna entre o corpo e a mente. O cansaço físico é uma condição humana. Isso é normal. Mas será que esse estado constante  é indicativo que a saúde não anda bem?

Existe uma doença chamada síndrome da fadiga crônica. A enfermidade apresenta sintomas de constante falta de energia, causando exaustão frequente e a dificuldade para atividades diárias, como tomar banho. Essa canseira que incapacita a pessoa começou a ser estudada no fim dos anos 1980. Passados mais de 30 anos, todos os aspectos acerca da enfermidade ainda são uma incógnita.

O estudo sobre a doença é cheio de controvérsias. “Os exames clínicos não são conclusivos. Por mais que o médico submeta o paciente a uma série de testes, os resultados não apresentam alterações fisiológicas significativas. Isso dificulta o diagnóstico, sem mencionarmos a falta de compreensão de quem vive com esse peso”, explica a psicóloga Lia Clerot.

A especialista respondeu algumas perguntas sobre o tema. Confira:

Diagnosticar a síndrome da fadiga crônica é difícil por não ser comprovada com exames clínicos. Os sintomas podem estar associados à outras doenças como depressão e transtornos de ansiedade. Como o acompanhamento psicológico pode auxiliar no diagnóstico?

A psicologia pode auxiliar não só no diagnóstico da síndrome da fadiga crônica como também de outras enfermidades, além de contribuir para trazer bem estar ao paciente durante o tratamento. O acompanhamento psicológico ajuda a compreender vários fenômenos relacionados à saúde e ao adoecimento. O terapeuta, por estar mais próximo do paciente, consegue ver melhor o desenvolvimento do quadro clínico. A psicologia da saúde veio para mostrar que nem todas as doenças têm origem exclusivamente patogênica.

Pouco se sabe sobre a doença, porém, como a depressão, é vista com preconceito. Acredita que a causa disso é a falta de informação ou os aspectos da enfermidade?

Nesse caso dois dividem a responsabilidade. Os seres humanos têm preconceito com o que não conhecem. Somado a isso, a cultura do trabalho é extremamente pesada no mundo ocidental. Exaltamos mais uma jornada de trabalho intensa do que momentos com a família. Hoje já sabemos que o equilíbrio é o ideal, mas nem todos conseguem aplicar uma divisão igualitária para todas as esferas da vida. A demora no diagnóstico da síndrome intensifica até mesmo os sintomas do paciente. Além das cobranças externas, a pessoa não consegue sair do estágio paralisante em que se encontra por não entender o que está passando. Outro fato que agrava o quadro, é o diagnóstico inicial errado. Os médicos associam a outras doenças e acabam receitando medicamentos como antidepressivos.

Tem cura?

Depois de compreender que não é a mente ou falta de vontade, mas sim incapacidade física de responder aos comandos, o apoio da família e a ajuda psicológica são essenciais para a cura da síndrome. O paciente passa por uma mudança intensa que surge dele mesmo. Durante o tratamento, os avanços contra a doença ficam cada vez mais visíveis, trazendo a força para viver de volta e ainda melhorando o que antes parecia estar bom.

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